Em entrevista ao Encontre Advogados, Leopoldo Amaral, sócio fundador e administrador da LOA Advogados Associados, defendeu uma visão da advocacia fortemente ligada ao desenvolvimento económico do país, à qualificação técnica dos profissionais e à necessidade de preparar o mercado jurídico moçambicano para responder, com qualidade e consistência, aos desafios dos grandes projectos.
Ao abordar a origem e os valores do escritório, Leopoldo Amaral explicou que a LOA Advogados nasceu de um projecto pessoal construído a partir das experiências profissionais que foi acumulando dentro e fora de Moçambique. Segundo referiu, a firma foi pensada como um espaço capaz de reflectir essa vivência, combinando conhecimento do contexto local com padrões internacionais de prestação de serviços jurídicos. Actualmente, a sociedade conta com quatro advogados e quatro colaboradores administrativos, seguindo, nas suas palavras, um percurso de crescimento orgânico e sustentável.
Na entrevista, sublinhou também a forma como vê o papel do advogado no contexto moçambicano, não apenas como técnico do Direito, mas como agente capaz de contribuir para a atracção e manutenção do investimento. Essa perspectiva foi desenvolvida em particular no que respeita ao sector de energia e recursos naturais, onde identificou oportunidades relevantes, tanto em projectos offshore como onshore, mas também desafios exigentes que impõem maior preparação da advocacia nacional.
Entre esses desafios, apontou desde logo o impacto da instabilidade em Cabo Delgado na percepção externa do país, entendendo que os advogados também têm um papel a desempenhar na demonstração de capacidade técnica e institucional perante investidores e operadores internacionais. Para Leopoldo Amaral, esse trabalho passa por estudo, capacitação contínua e construção de parcerias que permitam aos escritórios moçambicanos responder ao nível de exigência destes projectos.
Um dos pontos centrais da entrevista foi o conteúdo local, que o sócio fundador da LOA considera essencial para garantir a participação efectiva das empresas e dos profissionais moçambicanos em sectores de capital intensivo, como petróleo e gás, minas, engenharia e concessões. Ainda assim, advertiu que a protecção do mercado nacional, por si só, não basta. Na sua leitura, o conteúdo local só produz resultados reais se for acompanhado de qualidade, excelência e capacidade efectiva de prestação de serviços.
Foi nesse contexto que chamou a atenção para áreas como project finance, private equity, parcerias público-privadas e concessões, sublinhando que continuam a ser domínios em que ainda há escassa capacidade local instalada. Segundo explicou, isso faz com que muitas empresas recorram a advogados estrangeiros ou tragam as suas próprias equipas, relegando os profissionais moçambicanos para um papel secundário. Para Leopoldo Amaral, o desafio está, por isso, menos na reserva formal do mercado e mais na preparação concreta dos advogados nacionais para responderem às necessidades reais destes sectores.
Ao falar das prioridades da LOA Advogados, destacou a aposta interna na formação e capacitação de toda a equipa, incluindo pessoal administrativo, bem como o investimento em instrumentos de trabalho e adaptação tecnológica. Referiu, a este propósito, a importância da inteligência artificial e o objectivo de desenvolver soluções internas que permitam prestar respostas mais rápidas, eficazes e alinhadas com o padrão de exigência dos clientes.
A mensagem central deixada por Leopoldo Amaral é clara: o futuro da advocacia moçambicana passa por preparação séria, estudo contínuo, produção de doutrina local e construção de competências especializadas. Num momento em que o país enfrenta grandes oportunidades em sectores estratégicos, a capacidade dos advogados nacionais para acompanhar esses movimentos com qualidade poderá ser determinante para que o conteúdo local se traduza, de facto, em participação efectiva e valor acrescentado para Moçambique.