Thaís Gomes defende uma advocacia mais preparada para a transformação digital

A advogada sublinha que os desafios tecnológicos exigem profissionais capazes de compreender a linguagem do Direito e da tecnologia.

Em entrevista ao Encontre Advogados, Thaís Gomes, advogada com actuação nas áreas de Direito Digital, Protecção de Dados e Governação de Dados, falou sobre o seu percurso profissional, a sua aproximação às áreas da tecnologia e o trabalho jurídico que tem desenvolvido no âmbito da transformação digital em Moçambique.

Ao revisitar o seu percurso, Thaís Gomes explicou que a ligação ao Direito Digital resultou de uma evolução gradual, marcada pelo contacto com áreas como direito empresarial, regulação, compliance, contratação digital, telecomunicações, protecção de dados e governação da informação. Para a advogada, a tecnologia deixou de ser uma área distante do Direito e passou a exigir uma intervenção jurídica cada vez mais técnica, preventiva e integrada.

No âmbito do Projecto de Aceleração Digital de Moçambique (PADIM), financiado pelo Banco Mundial e implementado pelo Ministério das Comunicações e Transformação Digital, Thaís Gomes tem prestado consultoria jurídica em matérias relacionadas com protecção de dados, governação de dados, computação em nuvem e operacionalização de instrumentos legais ligados à transformação digital.

Na entrevista, a advogada sublinhou a importância de aproximar o Direito da linguagem técnica da tecnologia, defendendo que o advogado deve compreender os sistemas, os riscos e as soluções digitais para prestar uma assessoria mais completa. Segundo referiu, “o advogado não fala apenas Direito; fala também solução”.

Para Thaís Gomes, a transformação digital em Moçambique deve ser acompanhada por instrumentos jurídicos capazes de proteger também o ambiente digital, garantindo que direitos, deveres e responsabilidades não fiquem suspensos apenas porque determinadas interacções passam a ocorrer online.

A entrevista reforça uma ideia central do seu percurso: numa economia cada vez mais digital, a advocacia será chamada a participar não apenas na interpretação das normas, mas também na construção de soluções, políticas e modelos de confiança para empresas, instituições e cidadãos.

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